Julho começa com alta de 0,5% nos preços do arroz
Prorrogação do vencimento dos custeios, redução da oferta pelos produtores e expectativa de mecanismos do governo, além de uma melhora nas vendas externas, favoreceram a conjuntura de estabilidade e leve reação nos preços do arroz
Depois de ter alcançado aquele que muitos analistas consideram ser o piso de preços da safra 2009/10, o arroz em casca no Rio Grande do Sul apresentou leve reação nas cotações na abertura dessa semana. Segundo o indicador Cepea-BVMF, a saca de 50 quilos do arroz gaúcho (58x10) alcançou cotação de R$ 26,76 nesta segunda-feira (12/7), com alta de 0,53%. Na sexta-feira (09/7), os preços alcançaram a média de R$ 26,69, segundo o mesmo indicador, com valorização de 0,26%. A média da semana passada ficou em R$ 26,68.
A leve reação dos preços é reflexo de uma “segurada” nas vendas por parte dos produtores, o que foi favorecido pelo alongamento e prorrogação do vencimento das parcelas do custeio da lavoura. Um clima de expectativa para o anúncio de mecanismos de comercialização, já que em algumas regiões os preços desceram abaixo do mínimo de garantia do governo federal, também pressionou uma retomada das cotações para patamares entre R$ 26,00 e R$ 27,00 na maioria das praças gaúchas. Apesar das férias de inverno, a indústria também precisou reduzir a cedência de “concessões” na venda dos fardos, pois dava um tiro no pé. A cada “desconto” na venda dos fardos, afundava os preços e maior a dificuldade de retomar. Claro, grandes indústrias puxaram o movimento. E justamente essas conseguiram freá-lo agora. Mas, as pequenas e médias cortaram na própria carne para manterem seus espaços nas gôndolas das grandes redes varejistas.
Ainda assim, com dificuldades de reposição de matéria-prima, foi justamente as pequenas indústrias que precisaram ir ao mercado nos últimos dias em busca de produto e dispondo-se a remunerar melhor do que a média. Poucos, mas importantes negócios no sentido de balizar os preços para cima, foram realizados no Rio Grande do Sul, principalmente na Fronteira-Oeste e Depressão Central. E com empresas do Sudeste. Esse reflexo já respingou nas cotações médias, mas não o suficiente para que os produtores voltassem a ofertar em maior volume. Muitos já voltaram à campo aproveitando o veranico de junho/julho no Rio Grande do Sul para colocar a área de lavoura em ordem, segurando a comercialização para o segundo semestre do ano comercial e com algum caixa para fazer frente às primeiras parcelas a vencer em agosto.
Esse vencimento, inclusive, faz prever a possibilidade de mais um pico de baixa em agosto, estagnando uma ligeira tendência altista já considerada pelos analistas mais otimistas, entre 1,5 a 2% em julho. Essa tendência, no entanto, está atrelada a fatores micro e macroeconômicos. Do câmbio à decisão de venda do produtor, e à interferência do fenômeno climático La Niña, na próxima safra, que registra as produções recordes do Rio Grande do Sul. No entanto, para aproveitar o clima extremamente favorável, é preciso ter reservação de água para irrigação. E esse é o risco. Apesar de sair de um período de “El Niño”, com chuvas abundantes, a mudança brusca pode levar a zona de produção a entrar na safra com mananciais baixos e dimensionamento de área reduzido para a próxima safra.
Enquanto o governo não se manifesta, os produtores gaúchos começam a mobilizar arrozeiros e outras cadeias produtivas para manifestações mais sérias. Em período pré-eleitoral onde o governo tem grande possibilidade de fazer o sucessor, uma guerra com os segmentos de produção não é uma boa idéia. É apostando nisso que o setor produtivo vai em busca de suporte na comercialização. Até o momento, o ministro Wagner Rossi falou bastante, mas nada fez para reduzir os impactos da crise de comercialização do arroz gaúcho.
Em julho as cotações gaúchas retomaram patamares médios de R$ 26,00 a R$ 27,00 na maioria das regiões, com o produto de alta qualidade (variedades nobres) cotado acima de R$ 30,00 (64% acima) no Litoral Norte. Na Fronteira (Itaqui e São Borja) as variedades nobres variam entre R$ 26,80 e R$ 28,00 com alto percentual de inteiros (60% acima).
O Sul catarinense apresenta relativa estagnação, depois de quedas em junho, na faixa de R$ 27,00, remunerando ainda melhor do que o Rio Grande do Sul em razão da oferta e da demanda bastante ajustada naquele estado.
O Mato Grosso experimenta cotações na faixa de R$ 30,00 para a saca de 60 quilos do arroz agulhinha (Cambará/Primavera), demonstrando que encontrou certo equilíbrio entre volume de produção e demanda. Como mais de 70% da produção foi transferida para a indústria, é baixa a oferta por parte dos produtores mais capitalizados, que esperam o período a partir de setembro para entrar no mercado, principalmente abastecendo estados vizinhos.
A safra brasileira está chegando ao final, com os últimos bolsões de produção do Nordeste, em pequenas áreas, concluindo a colheita.
Entre os arrozeiros a semana é de reuniões e mobilizações em busca de mecanismos. Nesta terça-feira, a Câmara Setorial do Arroz está reunida no Mapa para determinar um planejamento estratégico pelos próximos cinco anos. A expectativa é de que, além de idéias no papel, finalmente se encontre uma política agrícola adequada ao setor, pelo menos para esse prazo. Por mais utópico que pareça, mas a esperança ainda é a última que morre. Na lavoura de arroz, então...
EXPORTAÇÕES
Na última semana uma das notícias que concorreu para dar um fôlego ao mercado foi a ampliação em 81% das exportações de junho sobre maio, segundo o Irga, e de 13% sobre as vendas externas do ano passado. Foram exportadas 82,5 mil toneladas de arroz, base casca. No ano agrícola, são 174 mil toneladas externadas, com média de 43,5 mil ao mês (março/junho). Isso, segundo o Irga, corresponde a 58% das 300 mil previstas para exportação pela Conab, o que faz presumir que o valor será superado. Os quebrados de arroz são os líderes do mercado, com 57 mil toneladas exportadas, principalmente para o Continente Africano, e 23 mil toneladas de parboilizado.
Enquanto isso, as importações brasileiras reduziram em 27% em junho, para o patamar de 70,6 mil toneladas, principalmente de arroz beneficiado (branco). Todo o arroz veio do Mercosul. No acumulado do ano comercial (março a junho), o Brasil importou o equivalente a 290 mil toneladas de arroz em casca, 5% a mais do que o volume internado em 2009 neste mesmo período.
Se mantida a média mensal, o Brasil importará cerca de 900 mil toneladas. Mantidas as tendências das estatísticas e médias atuais, o Brasil exportaria algo próximo 550 mil toneladas e importaria 900 mil. Isso indica um estoque de passagem bastante ajustado em fevereiro de 2011, levando em conta o suprimento atual. Característica que poderá, se mantida, valorizar o grão no segundo semestre. O câmbio, no entanto, mais uma vez será o fiel da balança. Neste caso, a balança comercial.
MERCADO
A Corretora Mercado de Porto Alegre indica preços médios de R$ 53,00 para a saca de arroz de 60 quilos (beneficiado), com queda de R$ 1,00 por saca. Para a saca de 50 quilos em casca, o preço indicado como média gaúcha é R$ 26,00. Entre os derivados, leve valorização, com R$ 23,00 para a saca de 60 quilos de canjicão e R$ 17,00 para a quirera. A tonelada de farelo de arroz é cotada a R$ 210,00.